Devido a formação diferenciada de sua população étnica e a seu tamanho geográfico, o Brasil tem uma língua diversificada. A convivência com diferentes culturas, a escolaridade, idade, sexo, região geográfica, profissão acesso a mídia etc. toda essa variedade faz com que a língua sofra influencias diversas e se reconstrua a cada geração e até mesmo a cada fala construída pelo usuário. Em decorrência desse contato com diferentes culturas ocorrem misturas e empréstimos que por sua vez geram mudanças.
Algumas pessoas e até estudiosos vêem a mudança na língua como um progresso, que passam de um estado simples para um estado mais complexo. A língua não é um progresso é um fenômeno estático, as línguas não se desenvolvem, não progridem nem regridem, não evoluem nem atingem um nível de excelência. Elas simplesmente mudam, da mesma forma como as sociedades mudam.
Segundo David Crystal, 1987, p. 5. “Se formos usar metáforas para falar da mudança linguística, uma das melhores é a da maré, que sempre e inevitavelmente muda, mas nunca progride, enquanto flui e reflui”.
Ou seja, a língua se mantém em um estado de equilíbrio, enquanto as mudanças ocorrem dentro dela.
As mudanças ocorrem de forma gradual e lentamente, sem que seja percebida imediatamente pelos usuários são mudanças parciais, e nasce do contato com dialetos e línguas diferentes. A mudança ocorre primeiro e mais rapidamente na fala, só depois chega a escrita, isto ocorre porque a escrita é mais conservadora e mais formal, e porque sofre controle social por parte da elite que mantém a norma culta como regra.
A mudança linguística afeta vários níveis da língua: fonético, fonológico, morfológico, sintático e semântico.
No nível semântico: são três os processos que conduzem à mudança:
- Alargamento( ampliação do significado)
- Restrição(redução do significado)
- Troca de significado
Uma das vertentes do estudo da mudança é a teoria de Labov, ele faz da variação e da mudança objetos centrais de estudo da sociolingüística variacionista, relacionando-as a estrutura da sociedade e sua história.
Nessa probabilidade da sociolingüística a língua é língua é obrigatoriamente parte da sociedade influenciando-a e sendo influenciada por ela. Logo, a língua muda porque a sociedade muda.
Para Labov, toda língua apresenta variação, que é sempre potencialmente um desencadeador de mudanças. CHAGAS, 2004. p. 149.
Segundo PIOVESAN, 2002, os maiores produtores de mudanças lingüísticas são jovens urbanos de classe econômica média.
Isso acontece porque esses jovens tendem a distanciar-se da classe considerada baixa e buscam aproximar-se da classe alta. Ao se comunicarem usam a hipercorreção para serem aceitos no grupo. Essa hipercorreção é uma das causas que gera a mudança linguistica.
Futuramente postarei mais algumas linhas sobre esse tema que tem sido discutido tão severamente por linguístas e estudantes.
Beijos
Cris
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