terça-feira, 5 de outubro de 2010

KOCH Ingedore Villaça, ELIAS Vanda Maria. Leitura, sistemas de conhecimentos e processamento textual. In. Ler e compreender: O sentido do texto. São Paulo, Ed. Contexto, 2006.


            Leitura, sistemas de conhecimentos e processamento textual, apresenta os vários conhecimentos e estratégias utilizadas na ação de ler e produzir sentido, passos interpretativos utilizados simultaneamente pelos leitores em um texto.
            Ao longo de dez páginas Koch e Elias, relacionam alguns critérios que são exigidos para total compreensão do sentido. Conhecimento linguístico, conhecimento enciclopédico e conhecimento interacional, são alguns desses critérios. Nesse panorama, as autoras apropriam-se de textos publicados em jornais  e outros meios de comunicação para desenvolver suas teses.
            O conhecimento linguístico compreende o conhecimento gramatical e lexical. Essa área é abrangida pela organização linguística no texto, a coesão para que haja uma sequenciação e a escolha adequada de léxicos ao tema. O conhecimento enciclopédico tem relação com conhecimentos gerais sobre o mundo, o que está acumulado na mente de cada pessoa, esse conhecimento é indispensável para a produção do sentido. Conforme Koch e Elias “(...) se os leitores não ativarem esses conhecimentos de mundo, a compreensão do texto estará comprometida”. (p. 45).
            O conhecimento interacional, faz alusão às maneiras de interação por meio da linguagem e abrange os conhecimentos ilocucional; comunicacional; metacomunicativo; superestrutural. No ilucocional percebe-se a intenção do autor, em um dado momento de interação. O comunicacional refere-se à quantidade de informação necessária, seleção da forma linguística ideal para cada situação e a adaptação do estilo textual à situação comunicativa. O conhecimento metacomunicativo dar a liberdade ao locutor de garantir a compreensão do conteúdo e segundo as autoras, “... conseguir a aceitação pelo parceiro dos objetivos com que é produzido.” (p. 52). Para que sejam alcançados esses objetivos, utiliza-se apoios textuais como realces e destaques no texto. Por fim, o conhecimento superestrutural identifica textos adaptados a diversas esferas sociais como horóscopo e fábulas por exemplo.
            O estudo bastante claro do conhecimento em diversas abrangências pode trazer vantagens à comunidade educacional, alcançando professores de vários níveis, estudantes de letras, pedagogia, bem como os interessados na questão da compreensão da leitura e funcionamento da linguagem. Sobretudo, a colaboração para a prática de ensino faz de Leitura, sistemas de conhecimentos e processamento textual, um documento de valor significativo para professores e indispensável para a formação de bons leitores.
            Cristiana da Silva Pereira, Estudante do Curso de Letras do Instituto Científico Superior de Educação e Pesquisa – UNICESP.
           

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mudança linguística

Devido a formação diferenciada de sua população étnica e a seu tamanho geográfico, o Brasil tem uma língua diversificada. A convivência com diferentes culturas, a escolaridade, idade, sexo, região geográfica, profissão acesso a mídia etc. toda essa variedade faz com que  a língua sofra influencias diversas e se reconstrua a cada geração e até mesmo a cada fala construída pelo usuário. Em decorrência desse contato com diferentes culturas ocorrem misturas e empréstimos que por sua vez geram mudanças.
Algumas pessoas e até estudiosos vêem a mudança na língua como um progresso, que passam de um estado simples para um estado mais complexo. A língua não é um progresso é um fenômeno estático, as línguas não se desenvolvem, não progridem nem regridem, não evoluem nem atingem um nível de excelência. Elas simplesmente mudam, da mesma forma como as sociedades mudam.
Segundo David Crystal, 1987, p. 5. “Se formos usar metáforas para falar da mudança linguística, uma das melhores é a da maré, que sempre e inevitavelmente muda, mas nunca progride, enquanto flui e reflui”.
Ou seja, a língua se mantém em um estado de equilíbrio, enquanto as mudanças ocorrem dentro dela.

As mudanças ocorrem de forma gradual e lentamente, sem que seja percebida imediatamente pelos usuários são mudanças parciais, e nasce do contato com dialetos e línguas diferentes. A mudança ocorre primeiro e mais rapidamente na fala, só depois chega a escrita, isto ocorre porque a escrita é mais conservadora e mais formal, e porque sofre controle social por parte da elite que mantém a norma culta como regra.

A mudança linguística afeta vários níveis da língua: fonético, fonológico, morfológico, sintático e semântico.

No nível semântico: são três os processos que conduzem à mudança:
  • Alargamento( ampliação do significado)
  • Restrição(redução do significado)
  • Troca de significado
 Uma das vertentes do estudo da mudança é a teoria de Labov, ele faz da variação e da mudança objetos centrais de estudo da sociolingüística variacionista, relacionando-as a estrutura da sociedade e sua história.
Nessa probabilidade da sociolingüística a língua é língua é obrigatoriamente parte da sociedade influenciando-a e sendo influenciada por ela. Logo, a língua muda porque a sociedade muda.

Para Labov, toda língua apresenta  variação, que é sempre potencialmente um desencadeador de mudanças. CHAGAS, 2004. p. 149.
Segundo PIOVESAN, 2002, os maiores produtores de mudanças lingüísticas são jovens urbanos de classe econômica média.
Isso acontece  porque esses jovens tendem a distanciar-se da classe considerada baixa e buscam aproximar-se da classe alta. Ao se comunicarem usam a hipercorreção para serem aceitos no grupo. Essa hipercorreção é uma das causas que gera a mudança linguistica.

Futuramente postarei mais algumas linhas sobre esse tema que tem sido discutido tão severamente por linguístas e estudantes.
Beijos
Cris